17/06/2009

Sumário

SUMÁRIO (pri, Dri e Leandro)


INTRODUÇÃO (Dri e Leandro)
Cap. 1 – A ESCRITA

1.1- Uma Breve história da escrita (Pri)
1.2- O que fazemos quando escrevemos? (Dri e Ju)
1.3- Estratégias de escrita – (Dri)
1.3.1 – A matemática da escrita (Poe e Cabral) (Ju e Dri)
1.3.2 – Depoimentos pessoais acerca do processo de escrita (Ju e Pri)
1.3.3 – Como escrevo (Ju e Dri)
1.4 – Inspiração e dom... (Ju e Pri))

Cap. 2 – A LEITURA

2.1- Uma breve história da leitura (Pri)
2.2- O que fazemos quando lemos? (Pri)
2.2.1 – Depoimentos pessoais acerca do processo de leitura (Ju e Pri)
2.3- Estratégias de leitura – (Dri)
2.3.1- A intervenção editorial na construção do sentido (Leandro)
2.3.2- O novo e o velho - do manuscrito ao digital (Ju)

Cap. 3 – MARCAS QUE FORMAM UM LEITOR E UM ESCRITOR

3.1 – Memórias pessoais (Leandro)
3.2 – Memórias dos escritores (João Ubaldo e Graciliano Ramos) (Pri)

Cap. 4 – RELAÇÃO ENTRE LEITURA E ESCRITA

1.1- Mergulho num lago gelado – Susan Sontag (Dri)

Leandro está responsável pela configuração também

21/05/2009

...

Tenho pensando, percebido, sentido e vivido a respeito da escrita ser um processo de construção e não apenas uma brisa de inspiração.
Quando li "A filosofia da Composição" de Edgar Allan Poe, a princípio tive uma sensação esquisita que me pareceu um grande estudo matemático para impressionar e inovar, e por isso o mérito de sua beleza. Porém, ao reler, é realmente fascinante o lugar a que se chega, um lugar seguro, um lugar exato, um lugar calculado e também sensível, bonito, poético...
Esta medida traz uma clareza, a de que é necessário além do querer, aprofundar, estudar, decompor para compor, para decompor ...

19/05/2009

Marcas que formam o indivíduo para escrever

O que motivam as pessoas a ler e escrever?

Será que isso tem uma relação direta com a maneira como foram introduzidas ao mundo da leitura e escrita em suas infâncias?

Isso é um determinante?

Lendo o processo desta aproximação de Graciliano Ramos, grande escritor, do sertão de Alagoas, do começo do século XX, a resposta seria não. Em seu livro Infância, o autor descreve sua experiência traumatizante com a sua alfabetização. Seu pai foi seu grande tutor, porém uma pessoa autoritária, brava e impaciente. Graciliano descreve: "Meu pai não tinha vocação para o ensino, mas quis meter-me o alfabeto na cabeça. Resisti, ele teimou - e o resultado foi um desastre. Cedo revelou impaciência e assustou-me". A metodologia básica de seu pai era aplicar-lhe pauladas com um pedaço de madeira em sua mão em caso de insucesso em suas hipóteses para se alfabetizar. Ele descreve: " As pobres mãos inchavam, as palmas vermelhas, arroxeadas, os dedos grossos mal se movendo. Latejavam como se funcionassem relógios dentro delas. Era preciso erguê-las"...
Já o processo de João Ubaldo Ribeiro, também provinciano, de meados do século XX, de Aracaju, a resposta talvez fosse sim. João conta que sempre viveu num ambiente muito letrado, seus pais gostavam muito de ler, o livro era um objeto disputado na casa. Conta: "Toda a família foi obcecada por livros e às vezes ainda arma brigas ferozes por causa de livros, entre acusações mútuas de furto ou apropriação indébita. Meu avô furtava livros de meu pai, meu pai furtava livros de meu avô, eu furtava livros de meu pai e a minha irmã até hoje furta livros de todos nós".
Susan Stong, escritora e crítica norte americana, contemporânea. Fala de seu processo de escrita hoje, como um trabalho árduo, de todos os dias. "Embora isso, escrever e reler, pareça um esforço, na verdade é a parte mais prazerosa da escrita. Às vezes a única parte prazerosa. Começar a escrever, quando se tem na cabeça a idéia de "literatura", é formidável, desafiador. Um mergulho num lago gelado. Depois vem a parte quente: quando você já tem alguma coisa para aperfeiçoar, editar". Comenta também do escritor não ser muito rígido nem auto-crítico no momento da criação, permitir-se simplesmente continuar remando sem muitas interrupções. Sem esperar pelo sopro da inspiração.
Respondendo às perguntas, quando Márcia as fez, acreditava que sim, se a pessoa já nasceu num berço de ouro, já teve contato intenso desde a sua infância com leitura e escrita, a chance e a facilidade dela se aproximar deste universo posteriormente, e se tornar uma escritora, é maior.
Porém, depois das leituras e discussões em aula, vejo que a escrita é realmente um trabalho, de ser enfrentado e lapidado, treinado todos os dias, para conquistá-lo.
Afinal de contas, nossas marcas de infância, traumas, dificuldades são possíveis de ser superadas. Tem que haver esforço. Márcia disse, sobre o educador, algo belíssimo, e é para isso que estamos no mundo mesmo: " O educador tem que acreditar na possibilidade de superação de qualquer pessoa, sempre, não há um tempo exato, certo, justo...".

18/05/2009

COMO VOCÊ DESCREVERIA O SEU PROCESSO DE ESCRITA?

No seminário "O que fazemos quando escrevemos?" o grupo abordou questões muito interessantes de se pensar, como o que se passa na nossa mente para a formulação, organização, de um texto. Disseram que o ato de escrever é um ato de resolução de problemas e envolve uma meta, um plano. As etapas do planejamento são ações que levarão o autor a atingir suas metas, pois o texto escrito será lido por alguém. As meninas falaram ainda sobre cada etapa na construção de um texto, desde a geração do mesmo, sua organização, suas metas até a revisão.
Pensar nisso tudo é uma loucura! Parece que escrever é um trabalho quase matemático, uma grande resolução de um problema: Como escrever um bom texto que o leitor compreenda?
O meu processo de escrita depende fundamentalmente de um aquecimento anterior, da leitura, de um envolvimento, de criar uma familiaridade com o tema a ser escrito.
Quando estudo, me aproprio de um assunto, vem idéias na minha cabeça, confusas, geralmente, o que me leva a querer organizá-las e de repente quando me dou conta, tenho um universo ao meu redor de possibilidades de encadeamento do texto a ser escrito.
Percebo também, quando escrevo, que meu texto fica recheado de emoções (minhas no caso) que não necessariamente importa ao leitor, quero dizer, parece que estou falando, contando, discorrendo sobre um tema oralmente, o que confere ao texto um aspecto de informalidade.
Não é fácil escrever, é trabalhoso, mas também não é uma tarefa impossível, para mim é como se fosse um grande treino mesmo, é como se a escrita fosse uma músculo, que necessita de exercício para se desenvolver e crescer.
O NOVO E O VELHO
No seminário "A evolução do texto: do manuscrito ao digital", vimos que estamos vivendo uma fase de transformação, de uns dez anos para cá, onde o computador vem tomando bastante espaço em relação aos livros.
Vou responder a pergunta que pede a minha opinião sobre o futuro destas tranformações e também se eu acho possível os livros serem totalmente substituídos pelo computador.
Esta é uma rica discussão que por traz revela muitos sentimentos com relação ao livro, como o apego, o cheiro e o tato, o medo do novo, as facilidades e as dificuldades, dentre outros. Desde que o computador se estabeleceu realmente, as relações também mudaram.
Antigamente, na minha infância, eu costumava escrever cartas e mais cartas (cada uma contendo de 10 a 15 folhas!) para a minha prima que morava distante, no interior. Nossa aproximação e intimidade se dava muito pelas cartas. Eram cartas-diário, com desenhos, colagens, fotos, demorava uma semana para escrever e mandar para ela, assim como, demorava também para receber sua respota. Hoje me pergunto, se naquela época já tivéssemos acesso a e-mails, será que iríamos nos escrever toda hora? Com tal intensidade e dedicação? Penso que não...
Hoje em dia não escrevemos cartas mais, muito menos recebemos, tudo é feito via e-mail. Tenho uma visão um pouco saudosista disso que se passou, porém sei que o computador representa um facilitador para a comunicação. Não só facilidade e agilidade para a comunicação, como também, falar com alguém fica muito mais direto, mandar recados, esclarecer um desentendimento, fazer um pedido, pedir desculpas... e rapidamente obtemos respostas.
Apesar de fazer parte desta geração, ainda sou um pouco resistente ao uso frequente do computador. Gosto de ler, um texto por exemplo, com o papel na mão, grifando, anotando, re-escrevendo, ler pela tela acho desconfortável, distante e dispersa um pouco minha atenção. Porém, produzir textos, digitando, eu gosto. O BLOG foi um grande exemplo disto para mim, gosto de sentar, aquecer minhas idéias e digitá-las, sem fazer rascunho (até porque existe a tecla delete!).
O velho e o novo, o papel e a tela, o livro e o computador, penso que se complementam. Não acho que o livro deixará de existir, são duas coisas diferentes. O computador, para mim, representa um excelente instrumento de trabalho, que na verdade, conheço pouco, não tenho o domínio ainda. Como é bom aprender a mexer em um novo programa do computador, aprender a construir um blog, pesquisar assuntos na internet, acessar um site que tem texto, foto, música, as linguagens artísticas juntas! Aprender, ir dominando o novo, dá mais liberdade para habitarmos o mundo de hoje, sermos e estarmos mais presentes com a tecnologia que chegou para colaborar, interagir e integrar e não substituir.

15/05/2009

PROCESSOS DE LEITURA



Cite 2 fatores que influenciam no processo de leitura e conte de sua experiência com eles.

No seminário que abordou a questão: "O que fazemos quando lemos?" pude verificar que a leitura é um ato complexo, bem particular que tem muitas nuances.
Percebo, ou melhor dizendo, ando percebendo com esta matéria, tomando consciência disto hoje, que quando leio tenho diversas posturas, que dependem do meu interesse, da qualidade do texto lido, da circunstância, etc...
Dentro do estilo pessoal na leitura, tenho uma tendência à dispersão, por isso procuro me isolar, para conseguir me concentrar melhor. Quando é um livro, que me "capta", leio com desejo, vontade, terminando-o orgulhosa. Agora, tem leituras que quando vejo, estou retomando o lhar para o início da página pela quinta vez, porque não assimilei nada do que li, então volto, porém completamente mecânica neste movimento, pois mesmo voltando isso não me traz garantia do entendimento do texto. Fico irritada quando isso acontece. Arrumo mil desculpas para mim mesma, para não enfrentar "o desconhecido", para não seguir com a leitura e tentar obter uma compreensão posteriormente.
Outro fator que tem uma grande influência no meu processo de leitura são os objetivos que se tem. Quando leio para estudar, faço resumo, sempre! Esta estratégia fixa os conteúdos lidos, pois ao resumí-los, preciso pensar, organizar minhas idéias, criar raciocínios para sintetizar os pontos, e tudo isso só é possível quando ocorre um entendimento, de fato, do texto.
Talvez se fizesse isso com todo e qualquer texto lido, obteria uma maior compreensão e consequentemente uma satisfação...
O QUE SE PODE APRENDER COM A LEITURA OUVIDA HOJE?

Neste seminário, sobre a história da leitua no ocidente, o grupo comentou que a leitura até o século I era feita em voz alta, pelos filósofos da época, sendo que para esses pensadores quando a leitua é realizada em voz alta era como se as palavras mortas do papel pudessem ganhar vida, voar!
Pensando e refletindo sobre isso, lembrei-me de quantas histórias ouvi, lidas pela minha avó, na minha infância. Para mim, não era na hora de dormir um bom momento para se ler e ouvir histórias, pois ouví-las me deixava muito acesa! Cada palavra, cada frase, cada página virada do livro era para o meu pensamento o mundo infinito da imaginação, é incrível como descrevia os ambientes e os personagens detalhadamente, invisivelmente. Não queria ver as ilustrações. Sempre que ouvia a mesma história, era de novo o mesmo cenário e os mesmos detalhes dos personagens que minha memória revivia.
Agora, pensando pelo lado ruim da história, gostava tanto, tanto de ouvir e imaginar, que fiquei bastante preguiçosa para gostar de ler, tendo quem lia por mim, era mais fácil e mais gostoso!
Hoje percebo com as crianças que dou aula, quando conto uma história lendo, é incrível o poder disso para chamar as suas atenções, é como um imãm mesmo, irresistivelmente interessante aos olhos e ouvidos das crianças pequenas, de 3 e 4 anos.
Respondendo à pergunta, penso que essa nova geração de crianças podem aprender a imaginar mais, fabular mais, abstrair mais seus pensamentos com ilustrações de sua própria autoria... Essa geração de hoje, tem tudo muito pronto, podem desta forma então, aprender a construir um universo de idéias imaginadas e isso não é pouco!

03/05/2009

Nossas perguntinhas a todos:

- Segundo Manguel, o leitor surge imediatamente após a primeira incisão de uma figura na tabuleta de argila, antes mesmo de que sua presença física se torne necessária.
Como você entende tal afirmação?

- Kato afirma que assim como a fala influencia a escrita, a escrita inlfuencia a fala. Explique o que você entendeu desta frase.


- Comente: “Toda escrita depende da generosidade do leitor”.

30/04/2009

“A natureza da escrita: a criação do alfabeto fonético”

Julia Königsberger, Thaís Abrahão e Priscila Basile


Kato afirma que a fala e a escrita são parcialmente isomórficas, ou seja, possuem a mesma forma. Em um primeiro momento é a escrita que representa a fala, mas logo após ser escrita, a fala também passa a sofrer influências desta.
Para esse entendimento, Kato faz uma passagem pela história da língua escrita, que surgiu após a fala. O que é interessante perceber nessa evolução é a necessidade de comunicação e simbolização de conceitos, inerentes ao homem.Para a língua ser escrita alfabeticamente, como é hoje, ela sofreu um longo processo de transformação.Há 10.000 anos, o homem pré-histórico utilizava desenhos para comunicar algo que havia acontecido na tentativa de fixar aspectos do mundo fora do seu próprio cérebro, a pedra. Com o passar do tempo, o desenho que comunicava algo se transformou no sistema PICTOGRÁFICO. Inicialmente, este sistema não tinha relação direta com a fala. Porém, para que a comunicação se tornasse mais precisa, o homem passou a representar no seu desenho, não mais acontecimentos, mas sim a própria linguagem. Representavam palavras, na ordem em que eram faladas, para cada desenho um significado. Os desenhos foram pouco a pouco perdendo a analogia com os pictogramas de origem, os Sumérios chegaram então a uma maneira completamente convencional, a escrita cuneiforme. A escrita agora tinha que ser ensinada por alguém que já a sabia.Uma dificuldade que permanecia era a de representar nomes ou palavras abstratas. Assim, uma nova possibilidade surgiu, ao passarem, os homens, a representar não mais coisas, mas sim o som da fala. DO PICTOGRÁFICO PARA O FONOGRÁFICO.Nesse momento, passou-se a usar um pictograma “x” para representar outra coisa diferente de “x” mas que tivesse o mesmo som dele. O leitor já não tinha na escrita um significado direto, mas a representação do som. Abriu-se para essas civilizações a possibilidade de escrever todos os sons da linguagem oral!O uso da primeira sílaba da palavra representada por um pictograma foi outro recurso utilizado nessa transformação do sistema fonográfico de escrita, temos assim a escrita LOGOGRÁFICO-SILÁBICA. Ao longo dessa evolução, passou-se a utilizar a primeira consoante dos nomes traduzidos. Fenícios e egípcios escreviam apenas as consoantes que adquiriam valor silábico, onde as vogais eram deduzidas do contexto onde estava a palavra. Ex: DVD (para DAVID).Por volta do séc. X a.C., os Gregos tomam emprestado este silabário Fenício, acrescentando as vogais, conseguindo representar todos os sons que compõe uma silaba, tornando-se uma ESCRITA ALFABÉTICA.
Nossa escrita, portanto, deriva do ramo latino da escrita grega.A descoberta da escrita alfabética é uma grande invenção e simbolização do homem, quando ele descobre que pode representar cada som falado através de um símbolo, a letra. Este caminho, a criança percorre no seu processo de aprendizagem da língua escrita, desde o momento que faz sua descoberta: A escrita representa a fala, ou seja, a criança pode desenhar não apenas coisas como também a própria fala.
Manguel, por sua vez aponta que desde a civilização pré-histórica, quando aconteceu a primeira incisão de uma figura na tabuleta de argila, surgiu ao mesmo tempo o leitor, um papel que nasceu antes mesmo de o primeiro leitor adquirir presença física. Segundo o autor: “A relação primordial entre escritor e leitor apresenta um paradoxo maravilhoso: ao criar o papel do leitor, o escritor decreta também a morte do escritor, pois, para que um texto fique pronto, o escritor deve se retirar deve deixar de existir. Enquanto o escritor está presente, o texto continua incompleto. Somente quando o escritor abandona o texto é que este ganha existência. Nesse ponto, a existência do texto é silenciosa, silenciosa até o momento em que um leitor o lê. Somente quando olhos capazes fazem contato com as marcas na tabuleta é que o texto ganha vida ativa. Toda escrita depende da generosidade do leitor.” (pg. 207)
Ainda na civilização pré-histórica surgiram os escribas. Eles eram a mão, os olhos e a voz por meio dos quais se estabeleciam comunicações e decifravam mensagens.Embora, ler também lhe fosse uma habilidade primordial, sua ocupação concentrava-se quase exclusivamente em sua capacidade de registrar. Todavia, os escribas tinham consciência do poder extraordinário de serem leitores e guardavam essa prerrogativa ciumentamente. Já naquela época, as artes da leitura e da escrita eram consideradas atividades aristocráticas. Apenas os escolhidos para serem escribas recebiam instrução em uma escola privada e há indícios de que alguns pais subornavam os professores a fim de obter boas notas para os filhos.
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KATO, Mary A. A natureza da linguagem escrita. In:____. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo: Ática, 2005, p.10-19.
MANGUEL, Alberto. Primórdios. In:_____. Uma história da Leitura. Tradução Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das letras, 1997, p.205-213.
Escrita. Fernando Passos (dir.). Distribuído pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação. São Paulo: FDE, 1988. 13 min., NTSC, VHS.

22/04/2009

O poder da criação
(João Nogueira e Paulo César Pinheiro)

Não, ninguém faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração

Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
E acende a mente e o coração
É, faz pensar
Que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar
Vem no meio da noite ou no claro do dia
Chega a nos angustiar
E o poeta se deixa levar por essa magia
E um verso vem vindo e vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar!


Contraditoriamente ao que João Cabral de Melo Neto diz, nos trechos da entrevista, Considerações do poeta em Vigília, sobre a tão falada e provocadora inspiração, a música acima revela que sim, há esse momento de inspiração no processo de criação, que quando o artista sente o momento e se deixa levar, acontece também a música, a poesia.
João Cabral não acredita nisso. Para ele a poesia é uma construção que precisa de trabalho, força e investimento para levantar a casa, parede por parede. E neste pensamento, fala que é necessário planejamento, preparação e trabalho.
Bom... pensando nestes dois pontos de vista, opostos, tendo a me dividir e acreditar em ambos. Vejo sentido nas duas possibilidades de criação. Penso que para a criação acontecer é necessário sim muito empenho, trabalho e intenção, nada cai do séu! Mas percebo também que em todo processo de criação acontecem momentos "inspiratórios", que quando justamente você deixa de pensar um pouco, deixa de usar a razão, vem uma resposta, uma luz, que é como se fosse mágica mesmo, que a ciência realmente não explica, mas nosso coração sente, e faz.
Não podemos entender então que ambos os caminhos, o do trabalho e o da inspiração, acontecem num processo de criação??

15/04/2009

Uma páscoa de saudades...

Nesta páscoa fui visitar meus avós, que moram em Minas Gerais, com muitas saudades deste casal, que há mais de 60 anos está junto. Estava terminando de ler o livro do Monteiro Lobato "Viagem ao Céu", quando o cheiro do livro, seus personagens e o próprio Sítio do Picapau Amarelo me trouxeram memórias de um passado, que quanto mais passa o tempo, mais distante se localiza.

O cheiro do livro, a Dona Benta e suas histórias, os bolinhos de tia Anastácia, as crianças investigadoras e perguntadeiras, todo esse contexto de infância, de imaginação, de meleca, da cabaninha... eu também vivi de um jeito diferente, mas bem parecido, na casa de praia de Bertioga desses meus avós.

Minha avó era incrível! Fazia quitutes gostosos, pães, bolos, tortas, doces, adorava inventar coisas pra fazer, costuras, histórias, tricôs, colagens, pinturas, argila, também gostava de caminhar no mato e nos mostrar os bichinhos que habitavam, o mato e a sua casa, eram lagartixas, sapos, pererecas, aranhas, muitas minhocas, também jogava tênis, vôlei e até futebol com os netos na praia. O dia terminava com jogatinas deliciosas, de buraco, tranca, "Warr", "Master", "Imagem em Ação" e... cama!!

Às vezes, nós, os netos, de noite, desmontávamos a sala para realizar nossas apresentações de teatro, nossos convidados eram os vizinhos da rua. Nos sentíamos muito importantes!

Dá umas saudades desse tempo que se passou, que enriqueceu meus tempos de infância, que fertilizou minhas invencionices e imaginações, mas... que se passou.

Neste feriado, um dia cheguei fim de tarde na sua casa, com fome, e de repente queria que ela fizesse uma comidinha para mim, um "mexidinho" que fosse de sobras de comidas da geladeira. Ela achou esquisito, e ao mesmo tempo fez. Fez 2 ovos fritos e queimados! Mas achei bom. A minha fome e a minha vontade de resgatar um passado, atualmente inexistentes, depois me deram dor no estômago com sabor de tristeza.

Porque hoje, essa avó, tem Alzeimer. Faz um ano que a doença começou. É triste vê-la de um jeito que não é mais ela. É mais triste ainda pensar que a cada mês, a cada semana, a cada dia, a cada momento e intante, ela têm piorado. É estranho saber que aquela avó que era super independente, que vivia pegando ônibus e metrôs em São Paulo, que adorava ir à rua 25 de Março comprar continhas para fazer colares, que nunca chorava, que não temia quase nada, que seu sobrenome era Coragem e Vivacidade, está deprimida, entristecida, magra, sem vontade de muita coisa...

Nos instantes em que praparava os ovos para mim, senti que ela ficou contente, mas ao mesmo tempo, ela não sabia como gerenciar essa ação, se atrapalhou, me disse que andava um pouco esquecida e confusa. Deixei... Fiquei observando-a, com vontade de chorar. Me segurei. Enguli, os ovos e o choro.

A sensação que cultivei foi a de morte, a de saber que a pessoa já não é mais aquela... Porém, apesar desta melancolia toda, tenho guardado com muito carinho a avó que foi comigo, na minha infância, e essa é a importância.

...

22/03/2009

Escritos de Rachel de Queiroz



" Detesto escrever. Não me lembro de escrever voluntariamente nada. O romance não é voluntário. É uma jornada que você inicia e que não pode deixar no meio do caminho. Morro de preguiça. O romance vai surgindo em sua cabeça. Às vezes leva anos o processo de encubação da história. Um dos dramas é escolher os nomes dos personagens. Maria Moura, por exemplo, ficou na minha cabeça durante 17 anos até eu sentar e escrever. Deve ser uma maldição, como a dos lobisomens..."
Fonte: PINHO, Ana Madureira de. Jornal do Brasil. 19 de Junho de 1994

Relacionando os textos lidos de Rachel de Queiroz, Escrever e A "inspiração" não vem para todos, ambos publicados pelo mesmo jornal ( O Estado de São Paulo em 25/03/2000 e 22/03/2003 respectivamente) com este excerto acima, Rachel de Queiroz salienta como escrever é trabalhoso, um músculo a ser exercitado.

Desmistifica qualquer tipo de ilusão sobre a inspiração, como se fosse algo de fora que viesse para o escritor traduzir em palavras. Pelo contrário, comenta que escrever é um encontro íntimo e penoso do que se pretende contar, e que às vezes demora-se muito até a realização de um texto final, de um livro. "Não há nada de súbito, nem de claro, nem de fácil. O processo todo é penoso e dolorido..."


Diz ainda que para escrever é necessária alguma vocação literária, tendo que existir o dom de colocar pensamentos e idéias no papel transformando-os numa escrita de qualidade. Assim como em outras profissões de especialistas, é importante o dom para executar determinados trabalhos.


Portanto, ela distingue o dom da inspiração. O dom é vontade, é trabalho, é caminho, é amor, é dedicação. A inspiração é de outra ordem (divina, talvez), que parace não haver trabalho, ela vem.


Diante das discussões que já tivemos em sala de aula sobre inspiração, algo que não é explicado pela razão, cientificamente, me pergunto sobre o dom. Como é? É algo que já nascemos? É divino? Ou é algo construído durante a vida? Será que tenho algum dom? Será que sou brilhante na minha especialidade? Ou esse algo dom, é coisa para pessoas consagradas...


Falar sobre dom, é algo que nos convida a escrever?

20/03/2009



Lendo o livro "Cartas a um jovem poeta" de RAINER MARIA RILKE , que fala sobre uma profunda relação do artista, poeta, do seu processo de criação e escrita me sinto tocada.

Me pergunto: Temos que escrever? Com que presença e qualidade de escrita? Os textos publicados no Blog são "lição de casa" ou são escritos por necessidade, num processo de exposição, de dar à luz, de se colocar perante ao mundo das palavras com intensidade??"

Sinceramente, este livro está estimulando a minha vontade de escrever, e o blog agora, está tomando um lugar importante, desafiador, instigador... Li o texto da Thais e fiquei bastante emocionada com suas palavras, profundas e delicadas ao mesmo tempo. Parabéns!

Contraditoriamente, é tão profunda a relação do autor com sua obra, que isso não convida tanto a escrever e sim intimida ...

Fica a questão de como é que se escreve um bom texto? Temos estudado vários autores e suas relações com suas obras, mas... para mim, que lugar é esse? Como é que habito?

E me respondo com uma passagem linda do livro:


" Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta." (pg 42)

...algumas palavras de Rainer Maria Rilke

...em resposta às cartas de Franz Xavier Kappus, a respeito da escrita e de seu amor à arte da escrita, e do quão profunda há de ser a relação das palavras do poema com o escritor:

" O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar - ninguém. Não há senão um caminho. procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever?" (pg 26)

"... relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza - relate tudo com íntima e humilde sinceridade." (pg 27)

" Nada poderia perturbar mais do que olhar pra fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa." (pg 28)

... Ele também defende uma certa distância do poeta - criador - artista de possíveis críticas, crítucos de arte, de com uma habilidosa argumentação pode bloquear um processo criativo, que na verdade vem das entranhas, da solidão de cada poeta que só ele pode entender:

" Deixe-me falzer-lhe um pedido: leia o menos possível trabalhos de estética e crítica. ou são opiniões partidárias petrificadas e tornadas sem sentido em sua rigidez morta, ou hábeis jogos de palavras inspirados hoje numa opinião, amanhã noutra. As obras de arte são de uma infinita solidão; nada as pode alcançar tão pouco quanto a crítica". (pg 36)


... Ainda falando sobre o profundo e intenso processo criativo de um poeta:


" ... A PACIÊNCIA É TUDO." (pg 37)

" Deixar amadurecer inteiramente, no âmago de si, nas trevas do indizível e do inconsciente, do inacessível a seu próprio intelecto, cada impressão e cada germe de sentimento, e aguardar com profunda humildade e paciência a hora do parto de uma nova claridade: só isso é viver artisticamente na compreensão e na criação." (pg 37)

" Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvore que não apressa sua seiva e enfrenta tranquila as tempestades da primavera, sem medo de que depois dela não venha nenhum verão." (pg 37)



Rainer Maria Rilke explicita sua necessidade de solidão e retiro para escrever, de esperar para "dar a luz" a um texto, da sua profunda relação com a natureza, como a polêmica inspiração tão discutida em nossas aulas. Faz sentido, a partir do momento que seu livro, a sua escrita, fala de seu processo enquanto indivíduo, sensível, frágil, que vive para isso. E isso, de alguma maneira, torna-se difícil de se praticar sempre, como uma condição importantíssima e imprescindível na escrita de qualquer pessoa.

Eu gostei muito do livro, fiquei bastante tocada, quase num processo catártico, me identificando com diversas passagens e explicações suas, sobre a vida. Me sinto pertencente ao Romantismo de sua época, início século XX, o que explica minha admiração pela sua escrita, e o meu "deslocamento" relacionando com o mundo de hoje, contemporâneo, que pede outras coisas, boas e ruins.

18/03/2009

Rapunzel, Rapunzel, jogue suas lindas tranças!



Fertilizando a minha memória sobre minhas histórias com leitura e escrita da minha infância, me lembrei de uma história que devo ter ouvido, certamente, 300 vezes!

Era minha avó Ruthinha a responsável por me encantar, por me contar histórias antes de eu dormir, ou em outros horários do dia também. Ela tinha uns livros bem antigos de fábulas de Esopo e contos dos irmãos Grim, algumas histórias com moral, outras porém, com uma riqueza universal, que quanto mais se lê (ou se escuta) mais transbordam outros novos significados... uma delícia!

Bom... a questão aqui, a história que realmente eu gostava muito, muito, era a história da Rapunzel. Nas féiras então, na casa da minha avó em Bertioga, ela lia essa história pra mim TODOS OS DIAS! E minha imaginação não dava conta de tantas informações (re)significadas, toda vez que ouvia.
Curiosamente, lembro-me de mesmo depois de já ter aprendido a ler, gostava mesmo era que minha avó a lesse para mim, essa era a graça!
Eram as tranças louras dos cabelos de Rapunzel que se atiravam na possibilidades de captura do príncipe para um namorico no alto da torre... principalmente esse pedaço me fascinava... o príncipe dizia: "Rapunzel, rapunzel, jogue suas lindas tranças!". Queria ter os cabelos de rapunzel, queria poder fazer duas tranças gordas no cabelo (sempre tive muito pouco cabelo!), queria também encontrar o meu príncipe encantado, um herói que me salvasse dos perigos da vida, que se arriscasse por mim, que fosse muito romântico...


Outro dia contei essa história para crianças, porém como sei contar histórias de um jeito interativo (crianças contribuem com idéias e sentimentos ajudando a dar um novo formato à história, ressignificando-a) a história tomou um novo rumo mesmo: Os cabelos da Rapunzel eram um emaranhado de barbantes (não bonitos!) e o príncipe que vinha salvá-la era atrapalhado, sem jeito, não era nem loiro nem tinha olhos azuis, era um caipira, preguiçoso com chapéu de palha!


Enfim, o mundo real e o mundo imaginário... quanta coisa muda e se transforma da nossa infância para cá, como é gostoso sonhar, imaginar e idealizar para depois concretizar!

CATAR FEIJÃO

Ao ler esse poema "Catar feijão" de joão Cabral de melo Neto, em aula do dia 11-03-09, a proposta era a de observarmos nossas ações e reações durante a leitura do mesmo e depois registrar esta observação.

"O quê acontece quando lemos um texto?"

O que registrei foi:

- Medo de não entender;
- Não entender;
- O som do ponteiro do relógio;
- Falta de atenção / dispersão;
- Desencanar... que o sentido vem com a repetição da leitura.

10/03/2009

GILLES DELEUZE



Lendo uma entrevista de Gilles Deleuze, que falou um pouco sobre o ato de ensinar, sobre a profissão do professor, ele comenta e reflete a respeito da inspiração.
Tendo em vista esse tema de discussão, contribuo com o grupo sobre sua reflexão:

"... Uma aula é algo que deve ser muito preparado. Parece muito com outras atividades. Se você quer 5 minutos, 10 minutos de inspiração, tem que fazer uma longa preparação... eu me preparava muito, ensaiava, para ter esses momentos de inspiração. Uma aula quer dizer momentos de inspiração, senão não quer dizer nada....faz parte do papel do professor a inspiração....
Para mim uma aula não tem como objetivo ser entendida totalmente..."


Diante desses pequenos relatos, Deleuse deixa clara a idéia da preparação, do trabalho, do ensaio, para se chegar na inspiração. Há empenho, desejo e esforço.

06/03/2009

inspiração...


O QUE MOVE O ESCRITOR A ESCREVER ??

Será que vem da mesma "raíz" do que move o bailarino a improvisar / dançar?
Ou o músico a compor uma música?
Ou mesmo, a criança a brincar na areia da praia por um dia inteiro??


Na aula comentei, fiz a relação de inspiração com NECESSIDADE, com botar pra fora, "vomitar"...

Agora penso: "Realmente, toda inspiração precisa de uma expiração no nosso corpo, então isso me traz uma possibilidade de sentido, que é uma dialética: O que vem de dentro é colocado pra fora, e/ou, o que vem de fora é colocado para dentro..."
maneiras de nos deixarmos "tocar" pelas coisas...

não sei...